quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Garrafa vazia

Eu sou cíclico. Impreciso.
Pego todos os tipo de aviões para os mais diversos tipos de destinos, mas sempre volto e pouso no mesmo aeroporto. Eu fujo de mim mesmo, me canso dos meus caminhos errados, das curvas fechadas que eu faço acelerando, dos atalhos que só me fazem andar por rotas cada vez mais longas, e que sempre acabam na mesma estrada principal. Eu mergulho fundo, me jogo nas ondas e me deixo à vontade da maré, tantas vezes engulo água, bato nas pedras, me machuco mas sempre termino ali, onde a água e areia se misturam, na exata linha variante da praia, onde o mar perde a força.
Eu sou elástico. Incoerente.
Sou um barco a vela, levado pelo vento, sem comandante, sem rumo definido mas com uma âncora pesada que me pára onde e quando eu acho necessário.
Como um pássaro curioso e distraído que se perde propositalmente do seu grupo, mas sempre volta quando sente perigo.
Sou como noite de verão, quente alegre e provocante, mas que à qualquer frente fria se rende. E qualquer chuva à faz desaparecer.
E me resta ser apenas como uma garrafa de qualquer bebida forte, doce no começo, sem sentido no meio e  vazia no final. Mas como toda garrafa que pode ser cheia novamente com um novo rótulo e uma promessa de ser melhor do que a anterior.
Eu sou dobrável. Confuso.




♪ Ouça: Um Par - Los Hermanos

Um comentário:

  1. Quisera eu ter me definido assim.
    Parabéns pelo excelente texto.

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