quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Garrafa vazia

Eu sou cíclico. Impreciso.
Pego todos os tipo de aviões para os mais diversos tipos de destinos, mas sempre volto e pouso no mesmo aeroporto. Eu fujo de mim mesmo, me canso dos meus caminhos errados, das curvas fechadas que eu faço acelerando, dos atalhos que só me fazem andar por rotas cada vez mais longas, e que sempre acabam na mesma estrada principal. Eu mergulho fundo, me jogo nas ondas e me deixo à vontade da maré, tantas vezes engulo água, bato nas pedras, me machuco mas sempre termino ali, onde a água e areia se misturam, na exata linha variante da praia, onde o mar perde a força.
Eu sou elástico. Incoerente.
Sou um barco a vela, levado pelo vento, sem comandante, sem rumo definido mas com uma âncora pesada que me pára onde e quando eu acho necessário.
Como um pássaro curioso e distraído que se perde propositalmente do seu grupo, mas sempre volta quando sente perigo.
Sou como noite de verão, quente alegre e provocante, mas que à qualquer frente fria se rende. E qualquer chuva à faz desaparecer.
E me resta ser apenas como uma garrafa de qualquer bebida forte, doce no começo, sem sentido no meio e  vazia no final. Mas como toda garrafa que pode ser cheia novamente com um novo rótulo e uma promessa de ser melhor do que a anterior.
Eu sou dobrável. Confuso.




♪ Ouça: Um Par - Los Hermanos

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Fotografias

É estranho ver fotos antigas, momentos registrados que nós mesmos nem nos lembramos.
É ficar pensando em quanta vida já ficou para trás. Quantas pessoas que aparecem nos abraçando, hoje estão tão longe ou nem aqui mais estão. Quantas risadas marcadas em pedaços de papel que agora nós não sabemos porquê. Às vezes é difícil voltar ao passado, é doloroso rever certas pessoas que estavam tão ali, tão próximas e agora...
Fotografias registram bons momentos, sorrisos, abraços, beijos, festas, alegria, fazemos isso como se quiséssemos guardar isso para sempre. Imagens de felicidade. Tudo que já ficou distante.
Olhar para o passado de algum modo é tentar reviver. É sorrir pelo simples fato de já ter sorrido antes. É querer sentir, por um dia já ter sentido. É se ver por fora.



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Às vezes o melhor a fazer é deixar ir

Às vezes amar pode ser muito difícil. Às vezes amar quer dizer abrir mão. Nem sempre ter por perto pode ser o melhor. O amor às vezes machuca tanto que o melhor que nós podemos fazer é nos afastar dele.
Quando o sentimento é forte demais e um de nós não consegue suportá-lo, só fará o outro sofrer.
Nós nunca deixamos de amar ninguém, amor nunca acaba, amor não envelhece, amor não se esgota, não cansa, mas amor muda, se transforma, o amor amadurece e encontra outras maneiras de se manifestar.
O amor não dá pra entender.


Quando a gente ainda se ama, mas não quer se ter por perto, o que quer dizer isso? Como é possível? Quando a gente quer tanto o bem de uma pessoa, quer que ela seja feliz, que realize todos seus sonhos, mas não quer estar com ela para compartilhar, o que isso significa? Quando tudo que você faz durante o dia te lembra alguém, te faz sentir saudades, mas mesmo assim você só quer isso como um boa lembrança, o que isso pode ser?
O meu amor não tem fim, eu nunca deixei de amar ninguém que foi importante e ainda é em alguma parte da minha vida, só que eu entendo que isso não foi o suficiente, não houve outros motivos para manter essa s relações de pé. Amor é fundamental, mas amor não suporta todas as coisas, não mantém tudo vivo embora esse mesmo amor não morra nem deixa morrer.
Amor não é nada mais do que uma bagunça, um jogo que na maioria das vezes só tem perdedores. Uma brincadeira que só faz chorar.
Às vezes amar é tão difícil que o melhor a fazer é deixar ir.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Eu teria feito

Eu não estava onde queria, eu não estava onde deveria estar, eu não estava em lugar algum.
Eu daria a vida para poder ter estado com você naquele dia. E poder ter segurado sua mão e não ter deixado você partir. Eu teria te impedido, teria chorado, caído no chão se fosse preciso. Eu poderia ter te batido para evitar que você saísse por aquela porta, por onde você nunca mais entrou.
Eu queria ter te protegido do maior perigo, que era você mesmo. E mesmo você me mandando embora eu deveria ter ficado, ter brigado, ter feito como uma criança manhosa que só faz o que quer.
Eu podia ter ignorado tudo o que você me disse, podia ter fingido não ter sido magoado pelas suas atitudes se isso tivesse te impedido de ir.
Eu teria feito qualquer coisa que fosse preciso se eu apenas desconfiasse no que tudo aquilo daria.
Eu teria feito de tudo para que hoje você não fosse só uma lembrança. Eu teria ido junto. Eu não sei o que eu faria, mas eu  faria qualquer coisa.
Por mais que eu saiba que tudo fora consequências das suas próprias escolhas eu me esforçaria para que você não tivesse tido que pagar por elas.




♪ Ouça: Little Dreamer - Christina Aguilera

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Eu não tenho ninguém

Tudo é calmo, tudo é tranquilo, tudo é chato. Nenhum relacionamento problemático para conversar com os amigos, nenhuma crise para ser superada.
Sozinho aparecem tantas preocupações sobre tantas coisas, que quando a gente está com alguém,  parece que se escondem.
Às vezes deve ser assim, quem sabe?! Um tempo de paz entre tantas confusões.
Por um lado é bom saber que ninguém vai me decepcionar, afinal eu não tenho ninguém, ninguém vai me ligar pedindo perdão por ter feito algo errado que iria me magoar. Ninguém vai se atrasar, me deixando ansioso de preocupação. Ninguém vai me deixar com ciúmes com uma 'saída rápida' para atender o celular. Por enquanto ninguém vai me fazer sofrer, talvez esse seja o lado bom de se estar sozinho.
Mas e pelo outro lado?
A cama vai estar vazia no inverno. O jantar vai ser no sofá. Não vai ter ninguém para eu contar o final do livro e deixa-lo irritado por querer ler também depois. Não vai ter nenhum sorriso antes de dormir. Ninguém para eu me preocupar por estar atrasado. Não vai ter discussão pelo controle, nem planos para o domingo.
Mas o mais preocupante talvez seja o fato de isso não estar me preocupando, talvez não tanto quanto eu achei que estaria. A ideia de ficar sozinho sempre me apavorou, mas por algum motivo isso agora não importa. Talvez o que no fundo eu queira mesmo é estar sozinho pra me encontrar (tem frase mais clichê cafona que essa?) Talvez eu queira mesmo é, parar para pensar, decidir e ver exatamente onde eu quero estar e ir, em vez de apenas me jogar em tudo sem analisar onde vai dar.
Talvez o calmo, tranquilo e chato seja o melhor agora.