quinta-feira, 3 de março de 2011

Aluguel de realidades


Ontem eu acordei cedo, estava começando a ficar frio, o vento pelo menos estava bem gelado. O sol nem estava muito evidente, um tempo nublado, que particularmente me deprime um pouco. Levantei e fui até o banheiro, ainda dormindo escovei os dentes, e só acordei depois de lavar o rosto. Como todos os dias, sentei à mesa, minha mãe e meus irmãos conversavam, mas eu não escutei nada, comi meu cereal, tomei meu suco. Saí. Fui à academia, e por mais que eu me esforçasse para ser simpático, ignorei totalmente a presença de todas que estavam lá. Fui ao parque, tirei o tênis, pus os pés no lago e deitei na grama, de longe ouvia a voz das pessoas que caminhavam, as quais eu também ignorei. Meus pensamentos voaram, em muitas direções, quase dormir ali mesmo. A essa altura as nuvens já estava indo embora e o sol começou a incomodar. Levantei. Voltei para casa. Sentei na calçada, meus cachorros logo deitaram do meu lado, e eu dormi. Não eram nem 11 horas da manhã ainda e eu já estava cansado daquele dia. Acordei com a Tia Lu perguntando se era para fazer almoço para mim, respondi que não.
Eu não sabia onde minha mente se encontrava, não conseguia me concentrar em nada por muito tempo, logo minha cabeça estava vazia. Sentia falta de algo, sentia falta de alguém, sentia que não queria estar onde estava, nem com as pessoas que eu me encontrava. Eu sabia que algo estava errado, que estava fora do lugar, droga eu estou tão perdido. Tudo que eu faço, que eu falo, que aparento, são só disfarces, por dentro eu estou destruído, em uma desordem que me sufoca.
A tarde tudo piora um pouco, é o calor, o sono, e a preguiça social que fazem com que as horas se arrastem. 'Coca Zero ou suco de laranja sem açúcar?' a moça da lanchonete já sabia o que eu ia pedir, estou me tornando previsível. Só para contrariá-la pedi café, mas sem açúcar. Já tinha ouvido meu celular tocar, mas não queria atender, não queria falar com ninguém, parecia tão difícil abrir a boca.

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