sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

É dessa certeza que eu preciso


Já fazia algum tempo que eu tinha perdido a certeza de que o amava. Aquela certeza de que vai durar tudo para sempre, traduzindo aquele sonho adolescente de que o amor é eterno. Eu já não sabia se queria acordar ao seu lado todos os dias. Seu corte de cabelo era tão previsível, você todo era previsível, do momento em que acordava, o que comia no café da manhã, no decorrer do dia, o sexo e como você dormia, sempre se repetia. Eu já não queria mais correr com você pela praia antes de ir trabalhar, e me enjoava o almoço que a empregada fazia. Eu já não queria mais dividir seu armário, o banheiro estava pequeno, e tinha cansado das nossas brigas pelo controle da TV. E a companhia dos meus gatos era o que mais me fazia sorrir. Eu já não queria que você soubesse quem eu era, me escondia atrás de traços errados para não me apresentar. Comecei a odiar tudo que eu sempre amei, até que eu percebi que não tinha nada de errado comigo, além de eu não mais querer sua companhia. Que quem eu era ainda existia, só não existia mais a minha vontade de dividir isso com você. Eu iria continuar sendo eu, com minha câmera, fotografando o olhar das pessoas, eu ia continuar na minha prancheta com meus desenhos, ia continuar na noite com minhas cervejas e meu cigarro, ia continuar no sofá da sala com meus filmes. Só que eu ia continuar sem companhia, porque a que você tinha para me oferecer eu já não queria mais, já não despertava sorrisos no meu rosto, já não causava arrepios no meu corpo, nem fazia tremer mais a minha voz.

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