quarta-feira, 3 de novembro de 2010

É o que eu ando fazendo...


E aí o que você anda fazendo?
(Depois de um mês sem nos falarmos essa foi a frase mais bem elaborada que ele conseguiu me fazer)
Com a paz que agora habita no meu coração e com qualquer música melosa na cabeça eu só pude responder: Nada de demais e você?
Bom você já sabe o que aconteceu comigo, já te contei.
Ah verdade desculpe, foi meio instintivo.

Talvez eu não quisesse mais compartilhar com ele os rumos que minha vida está tomando.Eu não vi motivos para lhe dizer que eu estou sorrindo a todo momento, que conheci novas pesssoas, que me levaram a novos lugares e a lugares antigos também. Não senti vontade de dizer que ocupei minha vida, que tenho novos planos e muitos desejos, que estou trabalhando dobrado para realizar meus sonhos. Não achei razão pra lhe contar da minha viagem de começo de ano. Não quis contar da minha lista de objetivos, aquela que eu escrevi colocando todas minhas vontades e metas a serem cumpridas antes dos 30 anos, da lista eu não contei.
Não expliquei que no meu coração o seu lugar nunca vai ser ocupado, mas que agora eu liberei mais espaço para outra pessoa, não contei dos meus relacionamentos passageiros, nem das bobagens que eu fiz bebado, não contei nada.
As nossas conversas de mais de 2 horas marcadas no celular, se resumiram a não mais de 17 minutos, com espaços longos de silêncio e repetição da mesma frase 'então né'.
Não vi necessidade de contar que minha cachorra morreu, que eu ganhei um afilhado, que aumentou o meu salário, que eu mudei de casa.
Não tive vontade de chorar, nem de gritar, não senti cíumes, mas senti sim uma angústia terrível, a qual eu tentava disfarçar com um sorriso tímido e um 'fico feliz por você' quando eu percebi que ele tinha conseguido levar a vida muito bem longe dos meus cuidados, senti um aperto enorme no peito quando me dei conta de que ele estava bem sem mim, que embora ainda existisse amor entre nós, nós não queríamos mais conviver, nós não queríamos mais partilhar nossas alegrias e nem nossos problemas um com o outro, isso, isso sim me deu uma tristeza profunda.
Na verdade eu não sei o que eu sinto, estou calmo e em paz, às vezes até sinto uma saudade dos dias que passavam voando quando estavamos juntos, sinto falta do carinho também, mas não tenho vontade de voltar atrás de tentar mais uma vez, nunca fui desses que voltam à um relacionamento, para mim se termina apenas uma vez, talvez esse seja meu erro, ou talvez não, talvez eu esteja certo, se não deu certo uma vez por que daria a segunda, a terceira ou enfim, por que daria certo agora?
Eu já não sei do que preciso, não sei do que sinto falta e se sinto mesmo. Não tenho mais medo de ficar sozinho, não tenho mais medo de nada. Fins de relacionamentos são bons para isso, nos fazem perder o medo de certas coisas.
Só me lembro que senti vontade de dizer ao final da nossa conversa que o amava e que nunca ia deixar de amá-lo, tive vontade, mas não disse.
Deveria ter dito, amor é sempre amor, não acaba, apenas muda, o meu mudou, o dele também deve ter mudado, também não sei, ele é sempre orgulhoso, agora eu o amo de uma maneira diferente, sem romance, sem desejo, sem interesse. Talvez eu nem o ame.

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